Soft Doing
Março 7, 2008
Sentia-se assombrada pela maldição do “soft doing”. A longa lista de pessoas “soft doing” que tinham aparecido na sua vida era quase interminável. Tinha havido C, e depois disso V, e antes delas, todas as outras Xs e Ys com quem se cruzara e das quais já nem se lembrava do nome, nem das circunstâncias, mas que tinham lá estado para lhe assombrarem a vida. Queria ser como elas. Invejava-lhes a harmonia e a beleza. A suave maneira de estar e falar. Os atributos etéreos que as rodeavam e que por alguma razão obscura elegera como patamar a atingir, levaram-na durante muito tempo a querer experimentar um fato que lhe ficava curto nas mangas, largo nas costas. Obviamente, acabou por desistir.
Ingénua y Lenta
Março 7, 2008
O papel de “coitadinha” assentava-lhe que nem uma luva. Eram os olhos em alvo, as mãos nos bolsos, os pés metidos para dentro – e apetece acrescentar – as orelhas descaídas. Parecia um cão sem dono. Por estas e por outras sentia-se permanentemente à beira das lágrimas e principalmente à beira de se atirar para baixo do primeiro carro que lhe aparece-se à frente. Resumindo. Depois de muitos anos a inventar emoções, tinha-se apaixonado por alguém que aparentemente preenchia todos os seus requisitos. Foi demais. Num dia estava afectivamente em branco, no outro era alegremente seduzida e entrava directamente para o top 10 das emoções à flor da pele. Claro está que não aguentou. Paz à sua alma.