Cartografias

Março 6, 2008

Quero morrer no deserto. Não quero morrer aqui no Príncipe Real debaixo do sol escaldante de Agosto. Não sei como é que isto aconteceu. Sinto-me como os gatos. Quando me tocas apetece-me percorrer a tua mão com o meu corpo. Estou-me a apaixonar pela pessoa errada. Eras igual a A ou a B. mas deixas-te de o ser. Uma destas noites olhei para ti como se nunca te tivesse visto e descobri que me podes seduzir, e que eu não sou imune a essa sedução. Os afectos são coisa terríveis. Apetece-me fazer com que a parte de dentro do meu polegar deslize sobre a tua pele. Apetece-me fazer amor contigo. Apetece-me que estejas aqui. E principalmente apetecia-me que não ocupasses tanto espaço dentro de mim. Dou por mim a sentir a textura do botão que regula o som da minha aparelhagem e toco-lhe da mesma maneira que te toco a ti, na nuca, nos cabelos, onde calha. É como se a ponta dos meus dedos precisassem da tua pele para se realizarem, e procurassem mesmo em botões de aparelhagem inóquos e cinzentos, estar na tua companhia.

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